Por que voltei a estudar
Me olho no espelho todos os dias e não me
reconheço. Nada mais resta daquele jovem "que queria mudar o
mundo"... Quando somos crianças, acreditamos que fomos predestinados à
fazer grandes coisas, ser notáveis... Crescemos e percebemos a mediocridade da
qual nossas vidas jamais escaparão. Estudar talvez seja minha catarse, ou
talvez eu tenha feito isso de voltar, insistir, para provar para mim mesmo que
as coisas ainda podiam dar “certo”, eu ainda posso fazer a diferença, ainda
posso dar luz à uma ideia original que mude o mundo. Ideias são as armas mais
poderosas que existem.
Me dei o dever de amadurecer e, nos últimos anos,
tenho conseguido. “A gente” pensa que na vida seja assim: a sabedoria e
maturidade é proporcional ao tempo de vida, ao tempo em que se está nessa lama.
Ledo engano. Às vezes essa relação é inversamente proporcional (pasmem) e ás
vezes simplesmente não há necessariamente uma relação.
Voltei a estudar e escolhi a Universidade Federal
do Sul da Bahia. Sempre quis fazer artes. Quem sabe essa carcaça ainda fosse capaz de sentir prazer estudando algo que realmente gosta. Me inscrevi, fiz o Enem
e na hora de me inscrever no curso tava lá “vespertino”. Putaquepariu, pensei,
trabalhar e pegar um curso vespertino é “barril”. Saí perguntando à um e à
outro até que um amigo rockeiro me disse que eu poderia fazer ABI (área de
ingresso básico) para migrar depois de um ano para o curso que quisesse. Assim,
fiz.
O que encontrei? Um ambiente caótico, bagunçado,
grade curricular estranha, “quadrimestre”. Me tiraram o chão. Mergulhado no mar
do comodismo, eu estava acostumado com a formalidade dos cursos “normais”. Para
um idoso de 30 anos como eu, seria árduo se adaptar à um sistema tão diferente,
depois de passar a vida toda dentro de faculdades “conservadoras” e “tradicionais”.
Cada dia tenho gratas surpresas. Isto aqui, caro leitor, é o desabafo de alguém
que ainda está aprendendo a viver nessa nova “casa”.
Sempre quis pesquisar, fazer “ciência”. Sempre
tentei focar a transdisciplinaridade, mesmo quando fiz minha primeira
monografia, contudo, nunca vivi realmente “aquilo” dentro das paredes das salas
de aula. No fim era apenas mais uma palavra bonita que no final das contas
perdia o seu sentido e se tornava vazia. Aqui, em cada texto, em cada
discussão, em cada matéria escolhida, percebo essa “ausência de fronteiras”
entre as disciplinas, o que julgo, sempre julguei, essencial para a verdadeira
formação científica. Essa é a forma pela qual se pode entender o homem e a
natureza de maneira realmente holística. A formação para uma percepção do
holismo das coisas, dos sistemas, nos torna mais humanos, capazes de enxergar
as necessidades de cada indivíduo e até, aumenta a nossa capacidade de nos
colocar no lugar dele. O universitário do futuro é o humano, holístico, transdisciplinar.
Se o mundo ainda tem solução, é daí que vão surgir as ideias para que isso
aconteça...
Lucas:
ResponderExcluirBem vindo à UFSB. A Bahia é atrativa. O sul da Bahia, Ilhéus, sua gente, sua paisagem, são atrativos, claro.
Mas o projeto dessa Universidade, seu vanguardismo necessário nesse país no qual as universidades parecem congeladas, promove, além da abertura de portas para uma enormidade de jovens a partir de 17 anos, e certamente passando pelos de mais de 30, é o que me muito atrai.
Vamos em frente, arrumando um pouco a bagunça e confusão que você encontrou quando chegou!
1 abraço.